Escrita do Sudoeste

A Misteriosa Escrita
do Sudoeste

Estela do Monte dos Vermelhos

Durante a Idade do Ferro, a Península Ibérica é palco de grandes inovações tecnológicas e transformações culturais associadas aos contactos comerciais, realizados por mar, com os povos do Mediterrâneo.

Há mais de 2500 anos atrás, no Sul de Portugal e na Andaluzia, as comunidades humanas transformaram e adaptaram o alfabeto fenício para criar uma escrita própria à sua língua: a escrita do sudoeste.

Concentrada na serra entre o Algarve e o Baixo Alentejo, esta escrita aparece em blocos de pedra que se fixavam no solo (estelas), e era escrita em arco, de baixo para cima e da direita para a esquerda. Conta com 27 signos, entre vogais, consoantes e caracteres silábicos, alguns com equivalências a algumas letras do nosso alfabeto. Ainda assim, a escrita do Sudoeste continua indecifrável e misteriosa.  

Desde a descoberta da primeira estela com escrita do Sudoeste, em 1897, até aos nossos dias são conhecidas 15 estelas com escrita do Sudoeste no concelho de Loulé divididas em dois conjuntos: o de Benafim/Salir e o de Ameixial.

A escrita do Sudoeste é a voz que nos aproxima dos pensamentos e modos de vida do passado. Um dos mistérios e um dos maiores tesouros da arqueologia europeia; uma realidade arqueológica de cariz excepcional; uma imagem de marca desta serra e um símbolo privilegiado da herança histórica do Algarve. Ela é, afinal, a primeira manifestação de escrita da Península Ibérica e está ainda hoje por decifrar.

A Caminhar há 2500 anos...

Em homenagem às comunidades que caminharam por este território realizam-se caminhadas temáticas, intervenções artísticas de land art, atividades educativas e outras experiências em todas as edições do Festival.